Com a abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 a poucos dias de distância, o clima de ansiedade já toma conta de Milão e Cortina d'Ampezzo. Mas, desta vez, o burburinho nos Alpes italianos tem um sotaque diferente. O Brasil não chega apenas para "participar" ou para ser a nota exótica do evento; o país desembarca na Itália com sua maior delegação da história e, pela primeira vez, com chances reais e fundamentadas de subir ao pódio.
O Evento: Milão e Cortina Unem Forças
Os Jogos de Milano Cortina 2026 acontecem entre os dias 6 e 22 de fevereiro. Esta edição é histórica por ser a primeira a ser sediada por duas cidades anfitriãs oficiais em conjunto, espalhando as competições por uma área de mais de 22.000 km² no norte da Itália.
A cerimônia de abertura, marcada para o lendário Estádio San Siro, em Milão, promete um espetáculo focado no tema "Harmonia". Com 16 modalidades em disputa e um recorde de eventos femininos (beirando a paridade de gênero com 47% de participação feminina), os Jogos devem atrair quase 3.000 atletas de todo o mundo.
Brasil: Recorde de Atletas e o "Fator Braathen"
O Time Brasil chega a 2026 com 14 atletas confirmados (e um reserva), superando os 13 competidores de Sochi 2014 e os 10 de Pequim 2022. O crescimento de 40% em relação à última edição reflete um investimento pesado do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e das confederações de gelo e neve.
As Maiores Esperanças de Medalha:
Pela primeira vez, o hino nacional brasileiro é uma possibilidade real nas montanhas italianas. Conheça os protagonistas:
Lucas Pinheiro Braathen (Esqui Alpino): A sensação do momento. Filho de mãe brasileira e pai norueguês, Lucas optou por defender o Brasil em 2024. Ele chega como vice-líder do ranking mundial de Slalom e Gigante. Com quatro pódios conquistados apenas nesta temporada da Copa do Mundo, ele é a aposta mais quente para a primeira medalha de inverno do país.
Nicole Silveira (Skeleton): Após o 13º lugar em Pequim, Nicole evoluiu absurdamente. Ela terminou 2025 com um 4º lugar no Mundial e já garantiu bronze em etapas da Copa do Mundo deste ano. Ela é hoje uma das 10 melhores do mundo.
Pat Burgener (Snowboard Halfpipe): Outro talento que escolheu as cores brasileiras. Pat é um frequentador assíduo de pódios mundiais e traz uma experiência técnica que o coloca diretamente na briga por finais.
"Uma delegação recorde representa um marco. O Brasil se consolida como a principal força dos esportes de inverno na América do Sul", afirma Emílio Strapasson, Chefe de Missão do Time Brasil.
Agenda: Quando Ficar de Olho nos Brasileiros
Para você já preparar o café e a torcida, aqui estão algumas das datas previstas cruciais:
| Data | Esporte | Atleta(s) em Destaque | Evento |
|---|---|---|---|
| 06/02 | Cerimônia | Time Brasil | Abertura no San Siro |
| 10/02 | Cross-Country | Manex Silva / Eduarda Ribera | Sprint Clássico |
| 11/02 | Snowboard | Pat Burgener | Classificatória Halfpipe |
| 13/02 | Skeleton | Nicole Silveira | Finais (Descidas 1 e 2) |
| 14/02 | Esqui Alpino | Lucas Braathen | Slalom Gigante (Final) |
| 16/02 | Esqui Alpino | Lucas Braathen | Slalom (Final) |
| 20/02 | Bobsled | Edson Bindilatti & Equipe | Provas de 4-man |
Mais do que números recordes ou estatísticas de desempenho, o que o mundo testemunhará em Milão e Cortina é a maturação definitiva de um projeto. O Brasil deixa de ser o país que apenas 'celebra a participação' para se tornar uma nação que impõe respeito no gelo e na neve. Entre a precisão técnica de Braathen e a resiliência de Nicole Silveira, o Time Brasil carrega para os Alpes a esperança de que o calor tropical possa, finalmente, derreter o favoritismo das potências tradicionais e trazer na bagagem uma medalha inédita. Em 2026, o verde e amarelo não será apenas uma cor exótica na paisagem branca; será a cor de quem está pronto para fazer história.
0 Comentários